M0rte de defensora pública após inserção de DIU gera investigação por po…Ver mais
Procedimento realizado por médica sem residência registrada em ginecologia está sob análise da Polícia Civil
A morte da defensora pública Geana Aline de Souza, de 39 anos, no dia 25 de março, em Boa Vista (RR), gerou comoção e acendeu um alerta sobre a segurança de procedimentos ginecológicos realizados em consultórios particulares. O falecimento, que ocorreu após complicações decorrentes da tentativa de inserção de um dispositivo intrauterino (DIU), está sendo investigado pela Polícia Civil como um possível caso de homicídio culposo majorado — quando há morte sem intenção, mas causada por negligência, imprudência ou imperícia profissional.
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Infecção generalizada e falência de órgãos
De acordo com a delegada Jéssica Muniz, responsável pelo caso, Geana começou a apresentar sinais de infecção logo após o procedimento, realizado no dia 18 de março. Nos dias seguintes, seu estado de saúde se agravou, culminando em uma internação no Hospital Ville Roy na tarde de 25 de março.
A paciente deu entrada no pronto-socorro às 15h25, em estado gravíssimo, apresentando sintomas compatíveis com choque séptico e falência múltipla dos órgãos — incluindo insuficiência renal, hepática e circulatória. Apesar da cirurgia de emergência realizada por uma equipe multidisciplinar, Geana não resistiu e faleceu poucas horas depois.
Médica alega fatalidade e lamenta morte
A ginecologista Mayra Suzane Garcia Valladão, responsável pelo procedimento, se pronunciou por meio de nota oficial, classificando a morte de Geana como uma “fatalidade”. Afirmou ter prestado toda a assistência necessária à paciente e garantiu estar colaborando com as investigações. Disse ainda possuir pós-graduação em ginecologia e obstetrícia.
Contudo, o Conselho Regional de Medicina de Roraima (CRM-RR) informou que a médica não possui registro de especialidade em ginecologia. O título só é formalmente reconhecido pelo CRM mediante conclusão de residência médica com certificação.

Inquérito apura falhas no atendimento
A Polícia Civil já realizou inspeções no consultório onde o procedimento foi feito, com foco nas condições de higiene e biossegurança dos materiais utilizados. O Instituto de Medicina Legal (IML) analisa o material biológico de Geana e deverá emitir laudo pericial determinante para a investigação.
O inquérito visa esclarecer se houve negligência durante o procedimento e se a conduta médica seguiu os protocolos exigidos para intervenções desse tipo. O resultado da perícia orientará os próximos passos da investigação, que será encaminhada ao Ministério Público e à Justiça após sua conclusão.
Debate sobre responsabilidade médica
O caso provocou uma onda de repercussão em Roraima e no país, reabrindo debates sobre a responsabilidade médica, a regulação de procedimentos ginecológicos em consultórios e a necessidade de maior fiscalização sobre o exercício de especialidades médicas.
Especialistas da área da saúde defendem que, apesar da baixa taxa de risco em procedimentos como a inserção de DIU, eles devem ser realizados em ambientes esterilizados e por profissionais devidamente qualificados.
A morte trágica de Geana Aline de Souza também levanta reflexões sobre o acompanhamento pós-procedimento e a importância do diagnóstico rápido de complicações, como infecções, que podem evoluir rapidamente para quadros fatais.
Justiça e memória
Enquanto as investigações seguem, familiares, colegas e amigos da defensora pública clamam por justiça. Respeitada por sua atuação na área dos direitos humanos, Geana deixa um legado profissional admirado e uma lacuna profunda entre os que conviveram com ela.
A Defensoria Pública de Roraima emitiu nota lamentando profundamente a perda e se colocou à disposição das autoridades para colaborar com o esclarecimento dos fatos.
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